Blog do Sabones - Expediente

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

“Violência Escolar” é tema de debate na E.M.”Três Marias”




Alunos e comunidade acompanharam debate e refletiram sobre a realidade dos professores e estudantes
Debate foi acompanhado por alunos, diretores, professores, jornalistas e autoridades municipais no auditório do CAIC (Foto: Márcio Sabones)
 

A direção da Escola Municipal “Três Marias” (CAIC) e Pré Escolar Municipal “Ursinho Sabido” de São João Nepomuceno tiveram a iniciativa de promover um debate educacional com o tema “Violência na Escola”, na manhã da última sexta-feira (18), no auditório do educandário para centenas de pessoas que compareceram e ficaram atentas com as informações, relatos e experiências vividas por profissionais da educação em diversas áreas. 


Mesa de debate composta pelo Dr. Roberto Thomaz, a professora Flávia Alves, a psicóloga Patrícia Lawal e a pedagoga Queila Crescêncio (Foto: Màrcio Sabones)
Para compor a mesa de debates, a pedagoga Queila Crescêncio, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Francisco Manoel, no distrito de Taruaçu, a psicóloga da secretaria Municipal de Assistência Social, Patrícia Lawal, a professora de Língua Portuguesa da E.E.”Profº Gabriel Arcanjo de Mendonça” (Polivalente), Flávia Alves e o advogado e também professor universitário, Dr. Roberto Thomaz. 

Na abertura, a diretora do CAIC, Aline Gerkein, o vice-diretor Walter Marcelo Gomes, professores da escola e um grupo de alunas responsáveis pela recepção davam as boas vindas aos convidados. Ainda foram registradas as presenças de autoridades como a vice-prefeita Dulcinéa Reggi Barbosa e o sub-Tenente Rosseti da Polícia Militar. 
Violência física, verbal e institucional na temática do encontro (Foto: Márcio Sabones)
Nas falas iniciais pela diretora e vice-diretor do CAIC, os agradecimentos pela presença da comunidade. Em conversa com a nossa equipe, a diretora disse que a rotina escolar é boa. “A escola tem trabalhado muito com o comportamento das crianças e promovendo diversos eventos para orientá-los. Em 2016, apenas um problema foi registrado de um desentendimento entre alunos, e no mais tudo segue com tranquilidade. Claro, temos alguns problemas, mas nada de grave. A vice-prefeita elogiou a iniciativa e ressaltou a importância do debate, pois o tema é um apelo da sociedade e disse ficar feliz com a presença de tantas representatividades sociais naquela manhã. Já nos pronunciamentos dos convidados à mesa, as experiências de vida de cada um, dentro de sua área e testemunhos. 


Debate da mesa 

Psicóloga Patrícia Lawal
Patrícia disse que é preciso ver o valor da escola para os alunos e a importância de suas formações. A realidade da violência no dia a dia, e a descrença na lei, na polícia, as agressões físicas e verbais nas relações: alunos x alunos, alunos x professores, funcionários x diretores, entre outras que presenciamos em todo o país deve ser vista com cautela e ainda comparou as diferenças da rotina escolar de décadas atrás e agora. O bulling e a rotulação de alunos e professores.
 
“A mudança não tem que vir somente do aluno, mas também dos professores e da escola. Ás vezes, o próprio mestre tem na mente que um aluno é encrenqueiro, mas também deve ser notado a origem desse comportamento. Em alguns casos, o aluno devolve na escola, o que vê em casa, na rua ou bairro que vive e mora. Por isso, o professor deve olhar o contexto do aluno e não estigmatizá-lo”, explicou. Patrícia que ainda citou as mudanças devido ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), implantado nos anos 90 e o desenvolvimento social. Contudo, segundo a psicóloga, o aluno de hoje tem voz, algo impossibilitado décadas passadas, mas que infelizmente pouco aproveitado pelos atuais estudantes, e daí, devido esta “proteção” se acham no direito na agressão física, psicológica e institucional (depredações, invasões e furtos).



Pedagoga Queila Crescêncio
A pedagoga Queila utilizou a fala de Patrícia no que diz respeito de observar a origem do aluno. “Devemos observar se o aluno sofre violência em casa. A criança precisa de carinho, pois o problema externo vem para a escola junto com ela”. Diante dessa fala, Queila comentou uma experiência há alguns anos com uma criança numa creche, que chegava feliz na escola chorava ao ir embora, e foi descoberto que o menino de 3 anos de idade apanhava por parentes. Ainda sobre a modernização, o ECA e o desenvolvimento social, a pedagoga disse que deve ser trabalhado junto aos pais, a questão de liberdade das crianças. “Ter a liberdade não quer dizer que pode ter falta de respeito e educação”. 

Professora do Polivalente Flávia Alves
Sobre a questão de desrespeito, o testemunho mais forte e emocionante da manhã foi da professora Flávia que revelou três desagradáveis situações acontecidas em sala de aula com ela e alunos. “Por duas vezes fui ofendida com palavrão, uma no início de minha carreira, há 23 anos. Eu tinha acabado de formar e sair da faculdade direto para uma sala de aula no Polivalente. Um aluno mandou eu ir para aquele lugar, fiquei chocada, era muito nova e estava preparada para ensinar o conteúdo da matéria a eles, e não de encarar aquela situação, Na outra, o mesmo aconteceu, anos depois, só que com uma menina. Fiquei triste, mas com o amadurecimento, a frase surtiu outro efeito e tive mais facilidade de lidar. O pior episódio que tive faz uns quatro anos, quando pedi um celular de um aluno dentro de sala de aula, respeitando uma norma da escola. Não bastasse ignorar, o mesmo em fúria me ameaçou de morte. Fiquei arrasada, conversei com os pais dele e nada. Até lidava bem com este aluno antes, foi difícil passar esta fase que já foi resolvida (emocionada); Daí eu pergunto: Até que ponto, nós professores também sofremos a violência? Os alunos? Será a sala de aula uma violência aos alunos? Será que pedir um celular, ou tirar o boné é uma violência a eles? Temos que entender que são diversos tipos de violência que temos”, desabafou Flávia. 

Advogado e professor Roberto Thomaz
Complementando o raciocínio da professora, o advogado Roberto perguntou aos estudantes presentes no encontro. “O que vocês acham da sua escola? O que vocês querem para o futuro, daqui 20 anos? Reflitam”. O advogado aproveitou a sua fala para parabenizar a Escola CAIC pela estrutura, os professores e a iniciativa do debate e lembrou aos alunos daquela escola da bela escola que eles estudam. 

Contou de sua vida de estudante, sua projeção profissional devido aos estudos e a importância de um bom relacionamento com os professores, os grandes mestres de nossas vidas. Também alertou às crianças e adolescentes  que não desistam de seus sonhos. “A maior violência que eu enxergo é o boicote que vocês fazem sobre si mesmo”, explicando sobre a desistência, a lamentação de autoflagelar em ter menos condições financeiras e até mesmo viver em um lugar com problemas e dificuldades. “Só você decide seu destino. Estude, aproveite a oportunidade que está tendo nesta escola”, finalizou. 

Ainda contribuíram no debate com depoimentos, a diretora da E.E.”Francisco Manoel, a professora do CAIC, Elisângela e o jornalista Márcio Sabones. Em conversa com a aluna Kimberly Freitas Amaral, de 12 anos, perguntamos sobre o que ela achou do debate e a resposta da menina  foi imediata : “Eu aprendi muito. Foi muito bom escutá-los e estou muito feliz pela vinda de todos. Gosto muito da minha escola e de estudar, e eles nos ensinaram que devemos fazer o nosso melhor. E vamos fazer. Obrigada.”

Márcio Sabones 
(Matéria assinada por este jornalista no 
Jornal Voz de S. João, edição 5485)
Fotos: Márcio Sabones
 
 



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