A dura situação de dependentes químicos e de familiares que
lutam contra o mal do século
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Uma oportunidade para dependentes
químicos, ex-dependentes, suas famílias e a sociedade para o conhecimento e
discussão sobre um assunto tão temido, mas tão pouco difundido. Saber dos males
que as drogas lícitas e ilícitas podem causar a uma pessoa, disso todos têm
informações nos veículos de comunicação, no bate papo de trabalho, nas praças,
etc.
No primeiro tópico, o olhar da sociedade diante dos
dependentes químicos, no qual uma grande parcela julga como marginais. “No
Antigo Testamento temos leituras sobre os leprosos, que viviam na margem da
sociedade (marginalização), assim como os usuários. As pessoas antes e hoje têm
medo de lidar com eles. Desta forma, são jogados ao fundo do poço. É difícil
encontrar alguém que saiba lidar com esta situação. Tanto o dependente e as
pessoas ao seu redor, no que podemos chamar de co-dependentes precisam ser
tratados. Vejo pais, esposas, maridos e filhos adoecerem e perderem o rumo da
vida”, comentou Anderson.
Anderson Amaral apresentou palestra |
A palestra ou reunião contava com
a presença de rapazes que procuram curar e sair da dependência de drogas
ilícitas (maconha, cocaína, crak) e lícitas (bebida alcoólica). Também, um
ex-dependente, mães, pais e irmãos de usuários na busca de uma orientação.
Infelizmente, o público não era tão grande e expressivo, mas quem estava lá,
assim como a nossa equipe pode escutar e presenciar depoimentos emocionantes de
quem viveu, quem ajudou ou precisa de apoio.
“Tenho que ser realista aqui no
encontro com vocês. Acompanhei muitos casos que a pessoa começou a usar drogas
achando que nunca ficaria viciado e que estava com o controle nas mãos. Engano
dela, pois a maioria dos dependentes que sofrem hoje começou desta maneira. Os
pais devem observar os filhos, agir o quanto antes para não deixar a situação
ficar ainda pior. O jovem inicia desta maneira, daí começa a usar mais, até o
abuso. Quando vai perceber está adicto (escravo da droga) e ela passa a dominar
a vida da pessoa, e assim afastando o jovem da família, da namorada (o), dos
amigos, do trabalho, do estudo, ou seja, o fundo do poço. Estou dizendo isso com
base da experiência vivida nos atendimentos aqui na Divina Misericórdia”,
explicou o convicto palestrante que escutou alguns depoimentos com atenção e
apresentou alguns passos que devem ser seguidos no combate às drogas.
Seriam
eles: Admitir a impotência diante do problema (drogas) e reconhecer a
necessidade de ajuda. Anderson citou que o dependente deve entender o que está
acontecendo com a vida dele, e a partir daí, tomar a decisão de se cuidar na
busca de orientação e entrar no processo de recuperação (tratamento). E por
fim, colocar em prática um “projeto de vida”, no qual o palestrante diz ver
muitas dificuldades das pessoas para este último item.
A busca de um caminho para retomar a vida |
Diante disso, o retorno
do dependente para casa e sociedade. É necessário paciência e solidariedade.
Entender o que a pessoa está precisando e dar a ele a tranquilidade de voltar a
uma vida tranquila, sem vícios (e evitar más companhias, etc).
“Queremos
celebrar e fazer com que outras pessoas despertem. Nós podemos fazer a nossa
parte. Cada pessoa tem como colaborar. A Associação pode ajudar nesse percurso.
Recebemos pais para conversar sobre filhos que usam drogas desde cedo, com 12,
14 anos de idade”, disse Anderson que ainda reforçou o pensamento de que todos
devem fortalecer suas convivências pessoais, familiares, profissionais e
espiritual.
Um equilíbrio para não perder a base. Ao final do encontro,
Anderson informou que existe um grupo de Apoio aos Dependentes Químicos na
Associação da Divina Misericórdia com reuniões nas terças-feiras, a partir das
19h30 e quem tiver o interesse de participar pode procurar a sede na Rua Guarda
Mor Furtado, centro, ou telefone 3261 2181, e-mail: divinamisericordiasjn@hotmail.com.
O coordenador lamentou a paralisação há um mês do grupo “Amor Exigente”, que
funcionava para atender às famílias de dependentes químicos nas noites de
quarta-feira. O motivo segundo ele foi que nenhuma família estava comparecendo
aos encontros, mas em caso de procura poderá retornar.
Por Márcio Sabones
(Matéria assinada por este jornalista no jornal Voz de S. João,
edição nº 5501 de 18 de março de 2017)
Fotos: Márcio Sabones
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