Blog do Sabones - Expediente

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Perdemos Michael Jackson" - por Márcio Sabones


Quando o relógio marcou 17:07hs (Horário de Brasília), do dia 25 de junho de 2009, morria um dos maiores artistas da música do mundo, Michael Jackson, aos 50 anos de idade na cidade de Los Angeles - Califórnia (EUA).


Estava no corredor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora, local onde curso jornalismo, e minha amiga “Gabi” recebera a notícia pelo celular. Não acreditamos e logo corremos para o infocentro, confirmar no site G1 o acontecido.


Por um instante, fiquei paralisado e lembrei de minha infância e juventude (num flashback alucinante), quando adorava dar os passinhos do grande astro do pop. Michael não era um músico e dançarino qualquer, e sim um ícone de uma geração que perdurou por décadas. Desde seu início com os seus irmãos no grupo “Jackon’s Five”, nos anos setenta, onde era o caçula, e o início da sua carreira-solo lançando os sucessos: Billy Jean e depois Thriller, que alcançaram recordes de vendas.


Detalhista, perfeccionista e criativo, o astro sempre surpreendia em novos trabalhos com coreografias (Bad), vídeo clipes (Black or White) e até mesmo na mudança brutal de sua identidade no início dos anos 90, quando começava a clarear sua própria pele. Trata-se de algo inédito e inusitado para uma pessoa famosa e mesmo vivendo num país onde as barreiras raciais ainda hoje é tema de vergonha e retrocesso cultural, ele foi compreendido sem ao menos ter a rejeição dos negros. Os Estados Unidos e o mundo ficaram paralizados com o “novo Michael Jackson”, de cor clara e nariz mais fino.


Ele pôde ter modificado a superfície, mas a essência não. Continuou a agitar shows, clipes e por onde passava era um turbilhão. Viajou o mundo todo, favelas, praias, desertos, geleiras e qualquer outro lugar do planeta. A verdade é que ninguém o parava. Mas ontem, pela primeira vez, senti que aquela energia que não somente caminhava para os lados e para trás em danças alucinantes e dava uma aula de marketing pra gente havia silenciado.


Num segundo, após a noticia de sua morte, veio tudo isso em minha mente. Eu não acreditava no que estava vendo – ele morreu! O cara que tanto tentei copiar passos na minha infância, no colégio e nas festas e que esperava o programa do Fantástico da Rede Globo começar para ver seus novos clipes não está no meio de nós. Abriu uma lacuna com sua ausência, símbolo de sucesso, dinheiro e escândalos.


Sei que sou somente um habitante entre bilhares que pararam por um segundo e sentiram o peso de sua ida, mas deixo aqui minha humilde homenagem a você.
Fica com Deus!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

"A vida de Heleno de Freitas", por Márcio Sabones







Após pesquisa sobre o craque Heleno de Freitas para a Universidade Federal de Juiz de Fora, local onde graduo o curso de Comunicação Social, elaborei um texto sobre um dos personagens mais imprevisíveis da história do futebol. É com muito prazer e alegria que divido um pouco do que aprendi aqui no meu blog com vocês.






“O craque Heleno de Freitas, vivendo entre o céu e o inferno”

1 – Introdução:
1.1 - Quem foi Heleno de Freitas?
Heleno de Freitas foi um paradoxo e viveu entre o sucesso e a loucura, em apenas 39 anos de vida. Nascido no dia 12 de fevereiro de 1920, na pequena cidade de São João Nepomuceno, entre os morros da Zona da Mata mineira e no berço de uma família tradicional, os Freitas, grandes negociantes de café e comerciantes da região. Era o quinto filho dos seis que tiveram o senhor Oscar e Dona Maria Rita (Miquita). Criado com muito zelo e educação incontestável, gostava de leitura e parecia ser um garoto tranquilo e quieto.



Com 13 anos de idade mudou com seus pais e irmãos para o Rio de Janeiro, onde se adaptaram com facilidades ao “novo mundo”. Adorava frequentar a orla litorânea e observar todo aquele movimento da capital carioca, embora não soubesse nadar. E foi justamente numa dessas tardes que Heleno foi descoberto por Antônio Ferreira Franco de Oliveira, o Neném Prancha, na praia de Copacabana ele participava do treino do Posto 4 Futebol Clube. Heleno sempre demonstrava habilidade com a bola e pouca paciência para deslealdades e provocações em campo.



Mais tarde, tornou-se jogador dos aspirantes do Fluminense F.C. e foi ídolo com a camisa alvinegra do Botafogo F.C., na era pré-Garrincha. Também jogou pelo Boca Júniors da Argentina, Vasco da Gama, Atlético Júnior (Barranquilla – Colômbia), América RJ e Seleção Brasileira.
Heleno era inconstante, um jogador imprevisível nos gramados, autor de 251 gols em 305 jogos e responsável por desentendimentos com adversários, companheiros de equipe e imprensa. Heleno foi considerado o primeiro craque ‘problema’, porque era absolutamente intempestivo em campo. Nervoso, arrogante, polêmico, Heleno também foi advogado, boêmio, galã e genial a jogar futebol.



Tinha o apelido de “um homem chamado Gilda” uma alusão ao filme “Bonita como nunca”, onde a atriz Rita Rayworh interpretava a linda e temperamental Gilda, devido ao seu gênio e beleza. Teve um filho, Luiz Eduardo, no seu curto casamento com Ilma. Seu fim foi trágico, vítima de Sífilis, doença que degenerou seu sistema nervoso levando-o a morte no dia 8 de novembro de 1959, na Casa de Saúde São Sebastião (Hospital Psiquiátrico) da cidade de Barbacena, Minas Gerais.



2 – O começo:
O até então desconhecido Heleno de Freitas era desde de 1937 um jovem ambicioso do time do Botafogo FC e reserva imediato do então craque da equipe, o atacante Carvalho Leite. Rapidamente, já em 1938 conquistara a vaga de titular no alvinegro.

A linha alvinegra ganhou em agressividade com a entrada de Heleno no lugar de Carvalho Leite. Trata-se de um player futuroso, com qualidades indiscutíveis para figurar com êxito. Principalmente quando passou a comandar o ataque, deu outra vida ao quinteto, que até então se ressentia da falta de um centroavante. (NOGUEIRA, Armando, 1966, p. 54)

Os anos passavam e o vaidoso Heleno fazia mais sucesso, apesar de suas reclamações, expulsões e brigas. A torcida alvinegra o idolatrava, pois era o craque da equipe. Ele era diferente dos demais, sempre chegava aos treinos bem vestido, cabelo bem penteado e tinha bom relacionamento com os dirigentes do clube. Adorava jogar xadrez e falar sobre a política mundial, fato que o isolava do restante dos jogadores, sendo a maioria analfabetos e desinteressados por esses assuntos. Era advogado, mas exerceu muito pouco a profissão num escritório da família no Rio.



O Botafogo lotava estádios por onde passava: boa parte do público atraído eram as donzelas cariocas, interessadas por aquele rapaz tido como temperamental, mas que, sem sombra de dúvida, era majestoso com a bola dominada e de palavriados incomuns nos campos da época. Começam assim, a despertar a atenção da imprensa (algo que desejava desde o início de sua carreira). Ao mesmo tempo que era multado por mau comportamento em alguns jogos, nos embates seguintes ele decidia as partidas com gols importantíssimos, dando seu máximo em campo. Heleno era fascinado pelos cassinos cariocas - os de sua preferência eram o Atlântico e o da Urca.



Levava uma vida boêmia intensa, causando transtornos ao Botafogo, pois sempre era pego nas madrugadas com várias namoradas e bebidas. Em 1943, o clube fez uma péssima campanha no municipal e Heleno foi suspenso por dois meses.


3 – “O auge”
Aquela suspensão deu a Heleno o status de ídolo, quando a torcida clamava por ele nos jogos dos quais estava ausente. Aquele jeito rebelde não era por acaso: um pequeno distúrbio começava sem que ninguém percebesse, nem mesmo o craque. A imprensa (rádio e jornais) noticiava os caminhos e passos de Heleno nas décadas de quarenta e cinquenta. Famoso por sua dupla personalidade, nunca era tratado pelos profissionais da área como louco, patológico. Jornalistas jamais cogitaram a hipótese de patologia. Preferiam acreditar que, apenas por não gostar de perder, Heleno mandava torcida, adversários, companheiros e árbitros a lugares menos poéticos. Ou inventava respostas ainda mais mirabolantes.Um fato ocorrido num jogo contra o Bangu, no qual Heleno perdeu um pênalti, fez com que o jornalista Mário Filho escrevesse uma crônica sobre o ídolo.

- Por muito menos, toda gente sabe, Heleno faz um alarido dos diabos e só falta expulsar de campo o pobre companheiro, apenas porque chegou atrasado na bola, ou só porque teve a criminosa inspiração de arrematar com defeito um passe que era gol certo. Mas domingo, Heleno achou até quem lhe tocasse carinhosamente a cabeça e quem lhe dissesse que aquilo não era nada. Coisas da vida, coisas do Botafogo, onde Heleno é Deus. (FILHO,Mário. O Globo Esportivo 27/09/1946)

Numa matéria da Revista Isto é, o jornalista Moacir Japiassu rememorou momentos em que Heleno sempre bem acompanhado nos cafés ou no Golden Room do Copacabana Palace usufruía dos prazeres que a fama lhe rendia.

- Conheci mulheres que perderam a juventude na porta do Copacabana Palace na ilusão de substituírem o lança perfume nos prazeres de Heleno. Ele chegava vestido de branco, descia do Cadillac e ia sentar-se à beira da piscina, com uma garrafa do melhor uísque e um balde de gelo. Um homem tão bonito... (JAPIASSU, Moacir in NEVES, Marcos Eduardo, 2006, p. 168)

Heleno era majestoso, apesar de sua agressividade dentro de campo. A imprensa o elogiava, dando o nome de craque-cavalheiro, jogador-galã e assim por diante. Mas a fama teve o seu preço: sua privacidade foi estampada para toda a sociedade em primeiras páginas e capas de revistas. Isso aconteceu, por exemplo, numa noite em que Heleno espancou uma namorada, chamada Diamantina, dentro do Cassino, por tê-la pego traindo-o com outro homem; também ocorreu na cobertura completa de seu casamento com Ilma, anos depois.

4 – Tropeços
O jogador sonhava em atuar na Seleção Brasileira, fato ocorrido em 1945. Enfim escalado para a Seleção Brasileira e apelidado por Ary Barroso, “o locutor da gaitinha”, de “diamante branco”( sendo Leônidas o “diamante negro”), não teve a sorte de disputar uma Copa do Mundo, pois em 1942 e 1946 não aconteceu o evento devido à 2º Guerra Mundial. Em 1947, na Seleção Brasileira, Heleno, ainda atleta do Botafogo, deu um depoimento direto de Montevideo, na disputa da Copa Rio Branco, que passava por um mal estar no clube e pretendia transferir-se para o Vasco da Gama. O jornalista Alceu Mendes de Oliveira Castro disse no artigo (O futebol no Botafogo) que o Presidente Carlito Rocha interpelou Heleno, deixando o craque apreensivo e preocupado com a repercussão da notícia no Brasil, tentando enrolar o dirigente.

Após o fato, o craque apresentou-se abatido no empate com o Uruguai em 1x1 no Estádio Centenário. Foi um fracasso sua participação. Aquele foi o último jogo em que Heleno vestiu a camisão da seleção, num total de 18 jogos, 14 gols marcados, 11 vitórias, 4 empates e 3 derrotas, ficando fora da Copa de 1950 que aconteceu no Brasil.

Em julho de 1950, Heleno responsabilizou o treinador do Vasco e da Seleção Flávio Costa pela derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo no Maracanã. Tragédia que afogou em lágrimas os 45 milhões de brasileiros. O jornal carioca “O Radical” reproduziu na capital federal a íntegra da entrevista, que repercutiu bastante no país. Num trecho, polêmico, Heleno afirmava:

- Se eu estivessa no comando do ataque o Brasil não perderia o Mundial. Conheço a manha dos uruguaios e Obdulio Varela não faria comigo a metade do que fez com o nosso ataque. (NEVES,Marcos Eduardo, 2006, p. 216)

No período de Boca Juniors, sofreu um dos maiores assédios pela imprensa em sua carreira. Ao chegar na Argentina como a maior aquisição do futebol daquele país, Heleno de Freitas provocou um maremoto editorial. Nos jornais, afloravam manchetes com o atacante. As abordagens jornalísticas chegavam ao absurdo de acordá-lo em meio à madrugada para entrevistas imbecis, e depois de alguns dias esbravejou com o repórter perguntando se não achava cedo demais. O fato é que tudo que dizia transformava-se em notícias e uma nova visão foi formatada do craque: o jornal La Epoca o descompôs, publicando que Heleno era desatencioso, que maltratava jornalistas, que toda a sua aparência não passava de fingimento. No Brasil, Fernando Lobo e Álvaro Aguiar enalteciam a rica personalidade de Heleno no programa de rádio “Caricaturas”, da Rádio Nacional, dizendo:

Hoje é fácil apontar os erros de Heleno. Cheio de facilidades, com as portas abertas para todas as extravagâncias, não tinha tempo para examinar o certo e o errado de suas atitudes. (NEVES, Marcos Eduardo, 2006, p. 182)

No Vasco da Gama chegou a ser campeão carioca, mas de uma maneira irresponsável saiu do clube para jogar numa Liga Pirata do Futebol Colombiano, no Atlético Júnior da cidade de Barranquilla. Foi amado naquele país como um astro de Hollywood, mas sua vida pessoal era um tropeço atrás do outro. Sua esposa Ilma pediu divórcio e voltou ao Brasil com o filho, não suportando o vício do marido por lança perfumes e éter, também o desrespeito e a falta de atenção com a família.



Heleno passou a ter relações sexuais com várias mulheres. Também por conta própria voltara ao Rio e tentou retornar ao clube cruzmaltino, mas deu de frente com Flávio Costa e foi surrado por ele nas sociais do clube. Começava o declínio do craque: o Brasil escolhera novos ídolos e a imprensa já não dava muita atenção a ele.

5 – O fim do jogador
Após ser rejeitado pelo Vasco, Heleno era tido como problema para qualquer grupo de atletas. O Santos tentou dar uma chance ao craque, mas em apenas um treino que fez com o grupo foi o suficiente para dificultar sua permanência. Mostrando um total descontrole emocional, Heleno despejou refrigerante na cabeça do treinador Aymoré Moreyra na hora do almoço, alegando que preferia o Aymoré do biscoito. Foram diversas discursões com o grupo, de maneira descontrolada, tornando os treinos de campo foram insuportáveis. Ainda tentou um retorno a Barranquilla, mas num jogo de extrema importância abandonou o campo sem explicação alguma e passou a ser execrado pela cidade que o amava. Heleno perdeu o senso de respeito. No Rio, nas noites regadas a uísque e éter, tentava manter a pose de milionário no Vogue.



Teve sua última oportunidade no América F.C., que comprou seu passe que pertencia ao Vasco da Gama. Todos temiam o pior, mas Heleno apresentara-se bem nos treinos junto aos reservas e negava de todas as maneiras o assédio da mídia, tendo até um desentendimento com um fotógrafo que tentava fotografá-lolo sem camisa, tentando mostrar seu corpo então rechunchudo. Mas jogou somente um jogo com a camisa do clube, sendo expulso no primeiro tempo. Esta seria a única partida disputada por ele no Maracanã e a última de sua carreira.

Segundo Carlos Rangel, um crítico teria dito que Heleno de Freitas era um goleador “cujos nervos doentes eram cordas de um violino macabro”. Opiniões como essa o tiraram do sério. Não gostava de ouvir comentários públicos sobre sua luta íntima para driblar os sintomas de uma doença que percebia ter, mas não sabia ainda quão perigosa era. (RANGEL, Carlos. Revista O Cruzeiro, 1970 nº12)

6 – O fim do homem
Após essa passagem, até clubes pequenos rejeitavam a contratação de Heleno, que caia em decadência. Passou a levar uma vida depressiva, cheirando éter pelas ruas de Copacabana e andando perdido no luxuoso bairro carioca. As pessoas passavam pelas ruas e deparavam-se com o ex-craque sujo, maltrapilho, vagando de um lado para o outro, falando e berrando sobre suas proesas no futebol com narcisismo e misturando partidas num confuso relato.
Até alguns de seus conhecidos desviavam, trocando de calçadas para que não tivessem de ouvir choros e relatos tristes. Definitivamente estava doente e precisava se internar. Até na sede do Botafogo em Genereal Severiano, que ele frequentava (a direção não proibia a sua entrada em respeito à história construída no clube), sentava-se nas arquibancadas para cheirar éter e queria invadir os treinamentos da equipe. Chegou a ser retirado por seguranças quase todos os dias, até que num dado momento, em 1951, foi encontrado caído próximo aos vestiários, quase sem pulso - ele tentara cometer suicídio.



Sua família não tinha opção, quando sua mãe, Dona Miquita, e irmão Oscar o internaram numa clínica psiquiátrica particular na Tijuca. Dela ele fugiria semanas depois, sendo encoberto pela mãe em casa. O irmão Heraldo, que vivia em São João Nepomuceno, levou-o para morar na pequena cidade do interior mineiro por um ano e meio. Lá, esperançosos de que Heleno poderia melhorar voltando para a sua terra de origem, seu relacionamento com a família era amistoso, convivia muito bem com os sobrinhos, até que com passar do tempo foi se tornando mais agressivo quando contrariado.



Em 1956, Heleno de Freitas foi internado na Casa de Saúde São Sebastião, na cidade mineira de Barbacena, localizada na Serra da Matiqueira, aos cuidados do Dr José Tollendal, seu antigo colega de ginásio. A imprensa até então, que não dava muita atenção a Heleno, soltou uma notinha informando que o ex-jogador estava em veraneio em Minas Gerais. Através de vários exames em Belo Horizonte, nada era identificado para o diagnóstico de Heleno. Somente num exame onde foi retirado um líquido da medúla óssea constatou-se que o craque tinha sífilis, numa fase mais aguda e de difícil retrocesso.
Heleno foi aos poucos perdendo consciência, afinidade com a família e restavam apenas lembranças de seus feitos nos gramados e as grandes viagens. A revista Manchete nesta época cometeu uma das maiores covardias jornalístas da época, foi à Barbacena e tirou fotos de Heleno, gordo, desdentado, mal vestido, cabelos brancos e lançou em sua publicação, com uma entrevista onde não dizia coisa com coisa, denegrindo a imagem daquele que um dia conquistou a todos não somente pelo seu futebol, mas pela beleza e elegância. A imprensa usou o ex craque como um objeto de interesse financeiro, não respeitando sua história. A imagem exibida de Heleno era bizarra e aproveitadora. Após quatro anos, dez meses e 25 dias internado, um dos maiores jogadores de futebol da história foi encontrado morto em seu quarto na clínica, pelo enfermeiro Cúrcio, que levava o café da manhã do domingo, dia 8 de novembro de 1959. Seu enterro aconteceu em sua terra natal, com uma bandeira do Mangueira FC (clube local onde Heleno jogou na infância) e o Botafogo RJ, o acontecido do velório não foi registrado na imprensa nacional, e sim, local e regional. Seu corpo descansa até hoje no cemitério municipal.

7 – Conclusão
Heleno de Freitas deixava um rastro de Carnaval por onde passava. Primeiro, pelos dribles e gols com a camisa do Botafogo (seu auge), depois, pelo aroma de lança- perfume que o envolvia (e não apenas nos quatro dias de folia, já que era dependente de éter e isso acelerou seu fim). Para Heleno, a vida era uma festa, interrompida por alguns momentos de lucidez.
E só muito tarde se descobriu: a festa era a sífilis, a loucura, a explicar sua fascinante dupla personalidade; em campo, ele era o carrasco dos adversários e dos companheiros, que ele humilhava por igual com seu inatingível perfeccionismo; fora dele, era o sedutor irresistível, que circulava pela sociedade carioca dos anos 1940 e arrebatava as mulheres.



Um ser humano que teria sido patético e marcante em qualquer atividade. O acaso quis que Heleno jogasse futebol.







Palavras-chave: 1. Heleno de Freitas – 2. Jogadores de Futebol – 3. Futebol – 4. Brasil – 5. História



REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS

NEVES, Macos Eduardo. Nunca houve um homem como Heleno. Rio de Janeiro, RJ, Ediouro, 2006.

NOGUEIRA Armando. Na grande área. Rio de Janeiro, RJ, Bloch, 1966

O GLOBO ESPORTIVO. Ele errou. Rio de Janeiro, RJ. 27/09/1946.

RANGEL, CARLOS. O homem que sonhou com a Copa do Mundo. O Cruzeiro, 1970.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

4º Nepopó Festivao foi sucesso total


A 4ª edição do ‘Nepopó Féstivao’ – Festival de Teatro de São João Nepomuceno – fez um enorme sucesso e levou cerca de 7 mil pessoas ao Centro Cultural Gabriel Procópio Loures, durante os dias 10, 11,12, 13 e 14 de junho. Promovido pelo GRUTA – Grupo de Teatro Amador de São João Nepomuceno, o evento teve uma média de 360 pessoas por espetáculo, 21 grupos de teatro de diversas cidades, 20 peças e a participação de 247 artistas.


Neste ano o festival fez uma justa homenagem à poetiza e colunista Déa Verardo Loures, grande incentivadora da cultura em São João Nepomuceno, sempre dando apoio aos espetáculos e artistas locais através de sua coluna, antes publicada no semanário ‘Voz de São João’ e atualmente no Portal SJ Online. Na década de 80, Déa presidiu o Centro Cultural, batizado com o nome de seu falecido esposo, Gabriel Procópio Loures, resgatando um espaço que muito beneficiou e ainda beneficia a cultura local.


O espetáculo ‘Equus Deo’ da Cia Domínio Público, de Juiz de Fora, que conta a história de um casal cujo filho único cegou seis cavalos, mostrando os conflitos de sua personalidade adolescente, dividida entre o amor obsessivo por cavalos e a descoberta de sua sexualidade, foi a grande sensação do ‘Nepopó 2009’ faturando dez troféus ‘Déa Verardo Loures’ – Melhor Ator do Festival, Melhor Atriz do Festival, Melhor Ator Coadjuvante do Festival, Melhor Direção do Festival, Melhor Espetáculo do Festival, além de faturar a maioria dos prêmios da categoria drama – Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Direção e Melhor Cenário.


A abertura do 4º ‘Nepopó Féstivao’ aconteceu na noite de quarta-feira (10/06), ocasião em que a grande agraciada, que dá nome ao troféu desta edição do festival, Déa Verardo Loures, brilhou com todo o seu carisma, beleza e simpatia. Visivelmente emocionada, agradeceu a todos pela homenagem dizendo não ter palavras para traduzir a sua alegria e emoção diante de uma homenagem tão amiga, carinhosa e sincera e citou o seu tradicional slogan, “Receber é belo, agradecer é lindo”.


A primeira noite do ‘Nepopó Féstivao’ terminou com um sarau, onde artistas locais puderam apresentar um pouco de música e poesia.


Festival

‘Qual o problema?’, do grupo Kairós de SJN, foi a peça de abertura na tarde de quinta-feira (11/06), arrancando gargalhadas da platéia. O espetáculo mostra os problemas do cotidiano de uma maneira cômica, com personagens que retratam o dia a dia na sociedade brasileira.
Três jurados abraçaram a difícil e extensa tarefa de escolher os melhores: Everson Rezende, ator, diretor, produtor e coreógrafo; Cida Nascimento, atriz da Cia de Teatro Novos Horizontes - ambos presentes como julgadores nas quatro edições do ‘Nepopó’ - e Alex Marigo, ator e produtor do Grupo de Teatro de Câmara de Guarani e coordenador de Cultura na mesma cidade. Na edição passada o grupo de Alex faturou diversos prêmios na categoria comédia e o segundo lugar geral.


O ‘Nepopó Féstivao’ nasceu em 2006 de um sonho dos membros do GRUTA, Márcio Sabones, Ismael Yellow e Aldo Philadélfia, que inspirados no Festival de Teatro de Ubá decidiram promover um evento semelhante na cidade. A cada ano uma personalidade sãojoanense é homenageada pela organização do evento, levando o nome do prêmio como forma de agradecimento aos serviços prestados às artes cênicas no município.


Na primeira edição o homenageado foi José Luiz de Carvalho Nunes, uma das maiores estrelas que o teatro sãojoanense já viu. Naquele ano, nove grupos e nove espetáculos deram o “ponta pé inicial” ao evento disputando categorias tais como: Infantil, Comédia e Drama.


Em 2007 foi a vez de Álvaro Barcellos, o Cabral, atualmente ator Cia Cênica Nau de Ícaros, onde atua há 20 anos na cidade de São Paulo. Desta vez, categorias como: Infantil, Comédia, Drama, Monólogo, Teatro de Rua e Tragicomédia deram novos horizontes ao Festival, tornando-o mais competitivo.


A terceira edição, em 2008, homenageou Ney Morais, que por quase três décadas lidera a Cia de Teatro Novos Horizontes, da qual é diretor e produtor de peças como: “A Paixão de Cristo”, Santa Rita, Noites Ciganas, Festa do Interior e muitas outras. Nesta edição um número de 24 apresentações, 14 horas de oficinas e os teatros de bar e de bonecos, deram um tempero especial ao evento.


O grande diferencial do quarto Festival de Teatro de SJN apontado pelo líder do GRUTA, Márcio Sabones, foi a importante colaboração de Ney Morais – homenageado do ano passado – na organização do evento. Além disso, Sabones citou as oficinas teatrais da CAB (Cia dos Atores do Brasil), núcleos de Ubá e Barbacena, sob a direção de Beta Silva e Betty Taylor, além da presença de 21 grupos cênicos e a participação inédita de dois grupos na categoria Teatro de Bar. Esse conjunto deu um colorido maior ao festival deste ano, concluiu.


Para Sabones um dos pontos positivos do Nepopó 2009 foi o cumprimento do horário da programação, os problemas que surgiam foram rapidamente resolvidos pela organização. Ele também destacou que foi benéfico o uso do portão dos fundos do teatro, como local de entrada e saída dos cenários e artistas e a disponibilização, por parte da Fundação Cultural de SJN, de faxineiras na parte da manhã.


O líder do GRUTA notou a ausência de autoridades municipais no decorrer do evento e apontou isto como um dos pontos negativos desta edição. Além de citar como o maior equívoco, a liberação da apresentação de um artista, pouco antes da premiação, fazendo uso de palavrões e gestos constrangedores (ao vivo). “Ele pegou toda a organização de surpresa, nós não esperávamos que ele fosse contar este tipo de piada”, declarou Sabones.


O pop rock da Banda Ohana, logo após o contador de piadas, apagou qualquer tipo de constrangimento, sacudiu a platéia e animou os momentos anteriores à premiação.


Alguns grupos colocaram na bagagem quase todos os prêmios de sua categoria. “O acúmulo de prêmios acontecido em certas categorias, é atribuído ao alto nível apresentado pelos grupos, no qual, uma análise mais detalhada é permitida”, esclareceu Márcio Sabones.


Questionado se concordava com a afirmativa de que o ‘Nepopó Féstivao’ poderia ser considerado como o maior evento cultural da cidade de São João Nepomuceno, Sabones, respondeu que sim, pois “trata-se de um evento onde a participação de centenas de artistas, de toda a região da Zona da Mata e de outros Estados, têm a oportunidade de aprender a todo instante com os espetáculos apresentados no palco e nas ruas. A comunidade sãojoanense tem o prestígio de acompanhar os mais variados estilos das artes cênicas em cinco dias e de maneira gratuita. Já é um evento que apresenta uma grande estrutura e que tem um reconhecimento e é referência na área teatral’, declarou.


A falta de apoio e o escasso patrocínio foram apontados como as maiores dificuldades na realização do festival. “É lógico que existem empresários e políticos que dão o devido apoio, mas ainda é pouco diante da proporção do evento. Temos de pedir aos amigos, parentes e à comunidade num todo uma ajuda para a alimentação dos visitantes no alojamento. Doações são recolhidas pelo Ismael e o dinheiro do patrocínio e inscrições fica para pagar as cozinheiras e faxineira do alojamento.


Apesar de todas as dificuldades encontradas em se promover eventos culturais no país, o ‘Nepopó Féstivao’ segue em frente acumulando sucessos em cada edição graças à garra e determinação de pessoas como os organizadores e apoiadores do evento. A quinta edição já está agendada para os dias 2 a 6 de junho de 2010.



Fonte: site www.sjonline.com.br